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O abismo

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"Desta data (19 /11/ 1905) até a primeira semana de Fevereiro, eu encontrava-me insano. A ordália atual, é descrita com intensa simplicidade e paixão em AHA!. Eu a chamo de Ordália do Véu, o Véu do Abismo. A completa destruição da razão, deixou-me sem qualquer outro meio de compreensão, a não ser Neschamah.

Eu já havia explicado ligeiramente o significado de Neschamah, Ruach e Nephesch. Devo agora, penetrar mais profundamente nas doutrinas da Cabala.

A consciência humana é representada como o centro de um hexágono, cujos vértices são pontos de várias faculdades mentais, porém, o ponto mais alto, que devería ligar a consciência humana com o divino, está perdido. Seu nome é Daäth, Conhecimento. A lenda babilônica da 'queda' é uma parábola para a saída do homem do Paraíso, pela destruição de seu Daäth e o estabelecimento desse Abismo. Regeneração, redenção, expiação e termos similares, significam algo como a união do humano com uma consciência divina. Chegando ao mais alto ponto possível da consecução humana por meios normais, se encontra a beira do Abismo e, para atravessa-lo, deve abandonar completamente, tudo aquilo que tem e que é (em termos subjetivos, significa a entrega total a Deus). Resumindo, o ato implica, primeiramente, em todo o silenciamento do intelecto humano, para então, ouvir a voz de Neschamah.

Nós devemos agora, considerar mais profundamente o significado de Neschamah.

Ela é a faculdade humana correspondente a idéia de Binah, Compreensão, que é esse aspecto consciente divino correspondente ao Conceito Feminino. Isso recebe, formula e transmite a pura consciência divina, que é representada pela triângulo (Trindade) cujo ápice a essência do verdadeiro Eu ( corresponde a Brahma, Atman, Allah etc. - não Jeová, que é o Demiurgo) e seu outro ângulo é Chiah, o aspecto Masculino do Eu, que cria (Chia, corresponde a Chokmah, Sabedoria, a Palavra) Essa divina consciência é tripla. Na essência é o absoluto contendo todas as coisas em si mesma, sem diferenciação entre as mesmas. Ela compreende-se pela auto manifestação através da aceitação de si como macho e fêmea, ativo e passivo, positivo e negativo, etc.

Os conceitos de separação, de imperfeição, de sofrimento existem devido a ilusão criada por elas mesmas para fins didáticos de auto explicação. O método é o mesmo que o pintor usa com as cores, jogando uma contra a outra, para representar alguma idéia particular de si mesmo que o agrada. Ele sabe que cada cor, em si mesma imperfeita, é uma representação parcial do conceito geral de luz.

A "Obtenção da Unidade" seria, teoricamente, uma mistura de todas as tintas, resultando numa superfície sem cor, forma ou significado ainda que alguns filósofos insistem em simbolizar Deus pela Unidade reduzindo-o à nulidade.

(...) Um exemplo pertinete a esse período, ilustrará a singularidade do mundo revelado pelo desenvolvimento de Neschamah: a consciência humana é distinguível da divina, pelo fato de ser caracterizada pela dualidade. A consciência divina, diferencia um pêssego de uma pêra, mas esta ciente, de que a diferença é feita para sua própria conveniência. O ser humano aceita a diferença como sendo real, não sabendo como o objeto realemente é. Está confinado a falta de sensação de que sua consciência foi modificada por sua tendência a perceber suas sensações características, sendo referências de sua existência. Deve ser um "expert" em Pratyahara para compreeder intuitivamente o idealismo de Berkeleyian.

Em outras palavras, a condição da consciência humana é o sentido de separação sendo imperfeição, sendo sofrimento."

The Confessions of Aleister Crowley, pag: 510

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